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Por favor, me explique o porquê disso tudo. Diga-me, me faça entender. Desde as coisas mais superficiais até as mais profundas. Já não agüento mais. Não consigo compreender, mesmo tentando com todas as minhas forças. As mesmas que já se esgotaram a muito tempo. Não entra na minha cabeça, é impossível sozinha. Portando diga, droga, diga! Não me deixe falando sozinha, você sabe que não gosto. Você sabe, não é possível, está brincando comigo. Pare, não tem graça. Não ria, sei que você está sorrindo esse sorriso sem vida que já está implantado no seu rosto a muito tempo. Explique-me o porquê desse sorriso, o que aconteceu com a sinceridade que sempre me apreciou em você. Por que você mudou, por que está assim? É minha culpa? Eu sempre tentei te entender. Seu modo de ver as coisas. A forma como você encara os problemas, o jeito que ri e o jeito que chora. A forma como diz oi e como se despede. Sempre tentei entender o que me atraia em você. Explique-me logo de uma vez! Qual o seu problema, você não me entende? Não me enxerga? OLHE PRA MIM! Não está me vendo? Sei que está com esses olhos agora negros. Faça-me enxergar como você. Eu me importo, sempre me importei, só não era capaz de demonstrar. Vamos logo, me faça ver agora, estou te pedindo. Aqui, na sua frente, pessoalmente, chorando pra você e por você. E você nem ao menos se meche. Eram lágrimas que você queria? Aqui estão aos seus pés. Pegue-as, mas me explique em troca. Por favor, quero entender. Entender tudo. Como viemos parar aqui? Como chegamos a esse ponto? Você entrou na minha vida, me mudou completamente e agora está ai, parado. Parado, sem me responder, sem se importar. Deixe-me olhar nos seus olhos negros uma vez mais, quero encontrar respostas, respostas à tantas perguntas. Culpa sua, culpa minha. Venha, se aproxime de mim de uma vez por todas. Beije-me na testa e após no queixo. Eu sinto falta disso, sinto muita falta. Não te disse pois meu orgulho não deixa, mas estou dizendo agora. Não seja tão orgulhoso quanto eu, venha e me beije. Sinto falta de você, dos seus costumes. Por favor, pare com esse silêncio, você já não teve sua vingança? Eu não agüento mais. Faça-me entender, pelo menos tente. Estou aqui tentando, mas é impossível. Por favor, me responda, seu cretino, me responda de uma vez. Já não tenho mais lágrimas para chorar e ainda estou aqui, chorando. Estou aqui, olhando seu nome escrito nessa pedra, essa data da sua partida, totalmente injusta. Por que você fez isso? Por que não pensou em mim? Aqui estou com outras flores pra você. Pegue-as, sinta seu cheiro. Por favor, me diga por que me deixou aqui. Explique-me por que me deixou apenas com seu nome escrito em uma lápide. Por que não esperou dizer pela ultima vez que te amo?
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E assim duas almas em dois mundos, morte e vida, branco e preto. Um diálogo solitário, em um abraço frio e em palavras jamais ouvidas. Dois mundos diferentes, duas faces de um mesmo mundo, um mundo igual. Como dois corpos se olhando em um espelho. Um dentro e um fora. Assim, simples assim.
Davi L.
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