sábado, 21 de janeiro de 2012

O Velho da Estação

-Nossa! Oi!
-Ah, oi?
-faz tempo que não te vejo.
-É.
-E como você está?
-Estou muito bem, obrigada.
-Puxa, que bom. Desculpe não te ligar, perdi seu número.
-Desculpe, mas não te conheço.
-Como assim não me conhece?
-Não, não conheço senhor.
-Você não mudou nada seu senso de humor.
-Que senso de humor?
-As suas brincadeiras.
-Mas não estou brincando.
-Claro que está. Não me conhece, como se isso fosse possível. – e riu.
-Deve estar havendo algum engano.
-Não há engano nenhum, eu sei que faz tempo, mas não é tanto tempo assim. – continuou rindo
-Senhor, eu não estou brincando, você deve estar me confundindo com alguém, mas veja – olhou seu relógio - tenho que pegar meu trem.
-Pare logo de graça – os vestígios de sorriso ainda estavam em seu rosto – Quer que eu me desculpe pelo longo tempo sem nos falarmos?
-Nunca nos falamos antes.
-Já chega, eu já entendi. Desculpa-me, mas eu já disse, perdi seu telefone. – seu olhar era sincero.
-Escute senhor, como também já disse você realmente está me confundindo com alguém.
-Ora pois, pare de tentar me enganar, não sou tão velho assim.
-Ou talvez esteja com problemas de memória, eu realmente nunca vi o senhor antes.
-Prove.
-Provar o que?
-Que não me conhece.
-Não preciso provar nada pra você.
-Aí está, você me conhece – e sorriu, aliviando a preocupação que estava em seu rosto. – Mas me diga, como vai o menino?
-Que menino?
-Seu filho.
-Desculpe senhor, não tenho filhos. – por um segundo apareceram coisas semelhantes a lagrimas em seus olhos - O senhor está pensando que sou outra pessoa. – Já estava impaciente – Não posso perder meu trem, tenho negócios a resolver. Adeus e boa sorte - partiu.
-Espere – e segurou em seus braços
-Senhor! – virou-se assustada – Vou chamar a polícia se não me largar agora.
-Pare de graça! Já chega. Já pregou uma boa peça em um velho, tudo bem. Coloque logo um fim nisso. Estou com saudades de você, e bem, dos seus filhos também. – Continuava a segurá-la.
-Deve ser mesmo um velho safado e nojento – Seu olhar expressava medo e repulsa – Me largue agora ou vou gritar!
-Já disse para você parar de graça Alicia.
-Me chamou do que?
-Alicia, do que mais seria?
-Como sabe meu nome?
-Como assim como sei seu nome?
-Deve estar havendo um grande engano e uma grande coincidência. – Estava visivelmente assustada. – Agora me largue, pois tenho que ir embora. Por favor.
-Por que tanta pressa? – Largou-a – Não há engano algum aqui. Você não mudou quase nada.
O mesmo cabelo, o mesmo cheiro, as mesmas cores na roupa, o mesmo jeito de andar – e rindo disse – Até o mesmo jeito de ficar assustada.
-Boa sorte – velho louco, acrescentou em pensamento.
-Eu queria mesmo ter te ligado, não ter esperado tanto tempo. Mas não pude. – seus olhos encheram-se de lágrimas.
Alicia continuava a andar para sua plataforma.
-Mande lembranças à Cristina.
Aquela frase a fez parar. Virou-se lentamente.
-Quem é você?
-Você não sabe mesmo quem sou eu?
-Ainda tem dúvidas?
-Creio que não esteja brincando.
-Ainda não me respondeu.
-Venha, vamos tomar um café comigo – estava triste.
-Não tenho tempo. Quem é você?
-Te respondo se vier comigo. – Forçou um meio sorriso.
-Não posso.
-E por que não?
-Não o conheço.
-Mas eu a conheço.
-Isso não quer dizer nada.
-Isso quer dizer muita coisa e eu quero saber tudo o que há pra ser dito.
A moça com sua maleta de trabalho e seu cabelo preso em um coque estava em duvida.
-Ora vamos, um café com um velho não vai te matar.
-O café não.
-Então, problema resolvido – e sorriu.
-Meu problema é o velho.
-Acredite, não faria mais nenhum mal a você. – disse imerso em seus pensamentos.
-Mais?
-O que disse?
-Você disse que não faria mais nenhum mal a mim. – disse desconfiada.
-Foi só modo de falar.
-Mas não precisava ter colocado um mais na frase.
-Como posso tê-la feito algum mal se, de acordo com você, nunca nos vimos?
-Mas você sabe meu nome.
-E o nome da sua mãe também – sorriu novamente. – O tempo que perdemos nessa discussão já teria sido suficiente pra umas duas xícaras de café.
Alicia olhou o relógio novamente.
-Certo, vamos.
Andaram em silêncio até a cafeteria. Sentara-me na mesa e pediram os cafés.
Alicia estava indo abrir sua maleta para pegar o dinheiro.
-Deixe que eu pago. – Sorriu e entregou uma nota de 50 para a garçonete. – Esse deve ser um trabalho muito desgastante.
-O senhor dizia?
-Garçom, garçonete. Trabalhar duro e ganhar pouco. Deve ser uma vida difícil. Fico imaginando a vida de quem esse trabalho é a única opção.
-Sim, deve ser – sua fala soou cansada, enquanto refletia sobre o que o velho dissera.
-E como vão as coisas com você?
-Espera mesmo que eu diga?
-Mas é claro.
-Não o conheço, já disse.
-Mas aceitou vir tomar café comigo, isso já é um começo. Bom, recomeço.
-O senhor pode estar mentindo.
-Por que eu mentiria?
-Há muitas pessoas más no mundo.
-Tenho que concordar, mas não sou uma delas.
-O que me faz acreditar nisso?
-A pessoa que eu sou.
-E quem você é? – bebericou seu café.
-Sou seu pai.
-Quem? O senhor é louco! –levantou-se bruscamente, claramente irritada.
-Sente-se, por favor, o que eu disse de mais?
-Você não tem esse direito, não tem esse direito! – As lágrimas estavam nos seus olhos.
-Por que está tão eufórica dessa forma?
-Vá para o inferno você e seu café, velho estúpido.
-Não está acreditando em mim?
-Meu pai está morto. Morreu quando eu tinha 12! Agora me deixe em paz! – Disse enquanto secava o rastro molhado deixado em seu rosto.
-Impossível Alicia, sou mesmo o seu pai – ele também estava assustado – sente-se por favor, está chamando a atenção das pessoas.
-Ora, fodam-se as pessoas, foda-se também você. Não tem o direito de fazer isso comigo. O que está querendo?
-Espere um momento – abriu sua carteira e retirou seu RG, juntamente com uma foto 3x4 de Alicia quando esta era apenas uma menininha – acredite em mim, não estou mentindo pra você.
A moça tomou o documento e a foto da mão enrugada daquele homem, olho-os, no seu rosto uma expressão confusa, de medo e incerteza. Sentou-se, tremendo, chorando ainda.
-Não faz nenhum sentido. 
-Muitas coisas não fazem sentido.
-Não, você não entende. Não pode ser verdade. – Ainda chorava.
-Está diante dos seus olhos, Alicia.
-Eu sei, mas não faz. Não pode fazer.
-Por que disse que eu estava morto?
-Minha mãe me disse isso, desde que sou pequena.
-A Cristina disse isso?
-Sim, disse que você morreu em um acidente de carro, que morava em outra cidade e teve um acidente.
-Entendo.
-Disse que o enterro já teria acontecido quando ela soube da suposta notícia, e que foi melhor.
-Disse que foi melhor?
-Sim.
-Melhor de que forma?
-Acho que melhor pra mim.
-Por que acha isso?
-Por tudo que ela falava de você.
-O que ela falava?
-Que você não era um homem bom, foi melhor ter partido.
-Entendo – estava visivelmente triste.
-O seu nome é mesmo Pedro?
-Sim – sorriu um sorriso mal disfarçado – ao menos nisso ela foi sincera com você.
-É.
-Você disse que ela falava.
-Disse, por quê?
-Está no passado.
-Creio que sim
-Não fala mais?
-Não.
-Por quê?
-Não dá.
-Não dá?
-Morreu – outra lágrima escorreu dos seus olhos já inchados.
-Morreu? – espantou-se – Quando?
-Ontem. – as lágrimas fluíam sem nenhum impedimento.
-Meu Deus! O que aconteceu?
-Ataque cardíaco. Não quero falar sobre isso.
-Sinto muito, sinto muito mesmo.  – não sabia o que falar
-Veja como as coisas são, como a vida é ingrata. Até ontem eu tinha mãe e não tinha pai. Hoje eu tenho pai e não tenho mais mãe.
 -Alicia, eu não sei o que te dizer.
-Não diga nada, não tem esse direito.
-Como? – espantou-se.
-Não pode simplesmente aparecer em minha vida repentinamente e querer opinar sobre nada. Principalmente dizer que sente muito. Pro inferno com tanto sentimentalismo. Onde estava quando precisei de você? Onde estava quando ainda dava pra se fazer alguma coisa?
-Alicia, não pense dessa forma.
-Onde estava em toda a minha infância? – interrompeu-o ignorando seu comentário – Não tem o direito de me abandonar aos sete, me deixar crescer sem pai, morrer aos doze e ressurgir aos 21. Vá pro inferno com seu sentimento! – Disse enquanto chorava.
-Por favor, não me veja dessa forma. Não acredite nesse mostro que criou em sua cabeça. Nunca fui um bom marido pra sua mãe, fui fraco e a traí. Machuquei você enquanto estava bêbado. Achei melhor viver sozinho, e fui obrigado a não entrar em contato com você. Nunca fui perfeito, mas nunca, nunca deixei de te amar.
-Não consigo acreditar em suas palavras.
-Se acalme, me dê mais uma chance.
A moça sentou-se novamente e Pedro considerou isso como um sim. Passou a mão em suas bochechas, secando as lágrimas que ali se depositaram.
-Sei que você está passando por um momento difícil, mas veja, não estou aqui para tornar nada mais difícil do que realmente é para você. Quero te ajudar. Recuperar o tempo que perdi contigo. Há algo que eu possa fazer?
-Não tenho nada em mente. – na verdade, por dentro, suplicava por ajuda.
-Cuidar do seu filho, talvez.
-Não tenho filho.
-Fiquei sabendo que teve a uns anos atrás.
-Já partiu.
-Partiu, para onde?
-Para um lugar melhor – Sua boca tremia e sua voz falhava. Seus olhos? Encharcados novamente. – Nasceu com deficiência. Não agüentou.
-Meu Deus!
-Deus? Que Deus? – soava em tom de ironia.
-Eu realmente sinto muito – As lágrimas também o pegaram, como uma doença contagiosa. Segurou as mãos de Alicia e disse – Me perdoe, por tudo. Eu sinto muito.
Alicia só conseguia chorar.
-Não havia tratamento médico para ele?
-Havia.
-Não funcionou?
-Não havia dinheiro.
-Mas você não trabalha?
-Trabalho.
-Não foi suficiente?
-Não, era muito caro.
-Mas em que você trabalha?
-Trabalho com pessoas. –olhou-o nos olhos, tentando o censurar de qualquer pergunta futura.
-É advogada ou psicóloga?
Não funcionou
-Não.
-Então o que faz com as pessoas?
-Sexo. – Abaixou a cabeça, chorando. Chorava por tudo. Por sua mãe, seu filho, sua vida. Aquela piada que recebera o apelido de vida.
-Ah! – a expressão do senhor era de surpresa, dor, tristeza, dó e compaixão. Não conseguia dizer mais nada.
Por um tempo permaneceram em silêncio.
-O que é agora? Acha ruim ter uma filha puta que você abandonou quando criança?
-Não diga isso!
-Por que não? Tem medo dessa palavra? Sou puta sim, graças a você também!
-Não diga tantas besteiras, não se refira a você dessa forma minha princesa. – dizia enquanto passa as mãos em suas bochechas.
-Princesa? –riu ironicamente – Ah sim! Uma princesa, vivendo no luxo de uma mansão, com uma vida feliz, ao invés de uma vagabunda abandonada fazendo sexo por 60 reais. Sim, uma princesa!
O velho chorava com cada palavra da filha, não pelo que ela era, mas pela forma amarga que ela enxergava a vida. Chorava por saber que ele era o grande responsável por aquilo tudo.
-Não diga mais nada minha princesa – dizia entre lagrimas e soluços – mais nada. – levantou-se e a abraçou.
Durante o abraço ambos tiveram suas almas sangrando, derramando seu sangue pelos olhos. Ambos transmitiram ali sentimentos de dores, guardados a muito tempo no interior de suas almas. Fizeram de um simples café um rio de lágrimas.
-Me deixe seu telefone, endereço. Algo que eu possa me comunicar com você. – disse o velho – Não quero mais perder-te.
E assim o fez, e a moça partiu. Partiu novamente para o campo de batalha, mesmo sabendo que seu corpo não agüentaria por muito tempo.

Após duas semanas, uma ligação. O velho senhor da estação de trem, seu pai, havia ido morar com Deus, após ser consumido pelo câncer. Um velho rico, que reconstruiu sua vida em uma cidade grande após o divórcio com sua esposa. Um velho estranho que deixou toda a sua herança para sua filha perdida. Um velho pai que tentou concertar os erros do passado, deixando juntamente com a herança um bilhete com os principais dizeres: “Minha princesa, reconstrua sua vida. Perdoe-me pelos meus erros. Nunca desista de ser feliz. Eu te amo, por mais que seja difícil de acreditar é a verdade. Com amor, Seu pai, o velho estúpido da estação de trem.”

Davi Lima

Conto de Fadas

     Então a pequena Ana fechou seu livro de história e deitou-se na cama. Seu pai, Miguel já havia alertado-a para que encerrasse sua leitura e fosse dormir, porém aquela história a prendia. Após um tempo deixou seu sono vencer, afinal seus olhos já estavam fechando sozinhos, e dessa forma fechou seu livro e guardou-o embaixo da sua cama, o que era estranho para uma garotinha que acreditava nos monstros que ali poderiam viver. Após pensar um pouquinho viu que a luz do quarto ainda estava acessa, refletindo as cores rosa claro da tinta nas paredes, e que não apagaria sozinha. Deu uma espiadinha pelo quarto sob seu cobertor, tomou coragem e saiu correndo até o interruptor. Da mesma forma voltou correndo e saltou antes de chegar a sua cama, aterrissando de modo barulhento. Por um momento permaneceu em silêncio, verificando se seu pai havia acordado. Com o abajur ligado, após um tempo de espera acabou adormecendo, dando inicio aos seus sonhos infantis.
    Seus livros eram seu ponto de equilíbrio, seu porto seguro. Para uma garotinha Ana enfrentava muitas dificuldades, fossem elas próprias de sua idade ou não. Seu pai, um homem muito amoroso, estava agindo de modo estranho ultimamente, não somente com ela, mas com tudo em geral. Na escola, as outras meninas não gostavam dela e viviam fazendo brincadeiras de mau gosto. Sua mãe havia sumido. Sequestro e assassinato foram as palavras que ela ouvira um homem com um uniforme engraçado com um carro que tinha luzes brilhantes falar para seu pai na sala de sua casa dias atrás, e apesar de não saber o significado delas já havia as odiado de primeira pela reação do seu pai após ouvir essas duas palavras.
    Certamente ele era muito curiosa a ponto de querer saber qual era o misterioso significado, mas também era receosa e não as perguntava ao seu pai com medo de vê-lo chorar novamente. Assim, dia após dia e noite após noite ela lia suas histórias na esperança que, de alguma forma, sua mãe voltasse e lhe desse um beijo dizendo que seu pai jamais choraria novamente, que suas amigas da escola não fariam mais mal a ela, e que ela jamais sumiria novamente.
    Mas claro, isso nunca aconteceria.
    Durante a madrugada, Miguel, que acordara após um pesadelo, estava deitado em sua cama enquanto as lágrimas corriam por seu rosto. Era difícil dizer o que estava o machucando mais. Se o assassinato de sua esposa ou o temor que sentia por sua filha, uma garota tímida, sendo criada apenas pelo pai. Toda a investigação da polícia em busca do assassino estava consumindo-o mais ainda. A sensação era de uma ferida constantemente aberta quando estava começando a cicatrizar. Levantou-se da cama e foi até o quarto da menina. A luz estava apagada e o abajur aceso. Ao pé da cama um livro titulado “Cinderela” e aos braços de Ana, um urso sendo exprimido por um abraço forte.
    Ali estava, em pé, olhando agora não para sua filha, mas para uma garotinha. Uma garotinha com sonhos, propósitos e fantasias. Uma garotinha com toda sua infância pela frente. Uma garotinha que perdera e mãe e nem ao menos se dava conta totalmente disso. Uma garotinha com seus medos e temores. Sua filha. Sua filha, fantasiando com um conto de fadas, abraçada com um urso, claramente e involuntariamente suplicando por proteção.
    Fogo e Água se misturaram em uma confusão de sentimentos, lágrimas de tristeza e alegria insistiam em jamais deixar seu rosto seco. Por mais que secasse e apagasse o trajeto que elas deixavam, após um tempo novamente ali estavam. A fonte do problema não era o físico. A fonte era a alma, e para a alma não há remédio. Há tempo, apenas tempo. Ajoelhou-se em frente à cama da menina, pegou o livro no colo, abriu-o na página demarcada, onde Cinderela conversava com sua fada madrinha. Fechou o livro, segurou uma das mãozinhas de Ana, e sentado, novamente com lágrimas nos olhos, dormiu.
     Aquele ali foi o inicio de um tempo novo. Um tempo novo selando o passado. Passado que jamais seria apagado, porem, pra sempre lembrado como superação. Um tempo que ensinou. Para Miguel, um professor que teve a missão de mostrar que mesmo as situações mais difíceis podem ser superadas. Para Ana, um professor com a lição de ensinar que os contos de fada não são reais, que a vida é dura e amarga, mas que pessoas e simples momentos podem tornar tudo um pouco mais doce, dizendo que mesmo sem a existência de conto de fadas, é possível ter um final feliz.

 Davi Lima

Na boa, não curti o final do texto, mas é o que tá tendo pra hoje.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Choque

Então naquele momento sentei na cadeira que estava na minha frente rapidamente, antes que caísse no chão. Foi uma sensação muito estranha pro momento em que eu estava vivenciando. Como se eu estivesse sem ar, mesmo os meus pulmões estando cheios de oxigênio, e o mundo inteiro parasse de fazer sentido. Como se as coisas mais obvias perdessem a lógica, e todo o meu conhecimento e entendimento sobre tudo desaparecesse. Algo semelhante ao um choque de um desfibrilador dado diretamente ao meu coração, sem que este estivesse parado. Mas ao mesmo tempo como se, momentos antes o mesmo coração parado estivesse recebendo a vida em suas entranhas. Ou pelo menos o entendimento do que é a vida. Por esse pequeno intervalo de tempo, sentado naquela cadeira, sem forças nas pernas, com o corpo tremendo e os olhos fechados, eu me senti saindo da morte e entrando na vida, porém com a dor de quem está na vida e vai para a morte, para o escuro. E naquele momento eu me senti sozinho, vazio, com frio. Então percebi que todo o calor daquele momento da minha vida se fora, porém que não me faria falta alguma. Eu realmente estava sozinho, mas também, tão certo quanto o ar que eu continuava respirando, eu havia começado a viver naquele instante. A dor me fizera perceber aquilo.

Davi L.

Espelho

Por favor, não entenda minha loucura. Por favor, pare de tentar entender. Você está me deixando louco. Mais. Por favor, não entenda. Não tente entender o motivo de eu dizer olá da forma como eu digo, nem os motivos que me levam a dizer tchau inesperadamente. Não tente ver a forma como eu enxergo o mundo, porque nem ao menos eu entendo a forma como o vejo. Pare de tentar entender meus sentimentos, muitos deles morreram mesmo, por você, e os que sobraram esqueceram-se de suas próprias funções. Pense assim, minha vida já era confusa, e agora toda a confusão está de cabeça para baixo. Mesmo assim, pare! Já disse para você parar, mesmo rindo não estou de brincadeira. Meu sorriso também se esqueceu de qual é sua função. Estar sorrindo não significa mais estar feliz, para falar a verdade acho que nunca significou. Você não está me entendendo? Não me olhe diretamente nos olhos como quem procura respostas à perguntas que nem mesmo você sabe. Pare! Você não entenderá nada nessa escuridão dos meus olhos, muito menos a loucura escondida no final desse longo caminho. Você está me olhando como quem busca entender todas as coisas que agora já morreram. Deixe morrer. Não adianta mais, é tarde. Devia ter tentado antes, mesmo eu sabendo que da mesma forma iria pedir pra você parar de tentar entender. São coisas inintendíveis, assim como essa palavra que acabei de inventar. Você não vê? É impossível, portanto pare logo de uma vez! Não, não tem como você entender porque eu deixava a xícara de chá sempre virada com a boca para baixo, nem ao menos porque não deixava as janelas abertas totalmente. É loucura. Tudo loucura, minha loucura. É insano eu tentar explicar, e mesmo que eu tente, impossível você entender. Vejo o mundo de uma forma muito peculiar. O vejo mas não o enxergo. Eu o sinto, mesmo não havendo nada para sentir. Mas ao mesmo tempo há tantas sensações novas. Por favor, me ouça! Estou gritando! Você não ouve? Não tente entender os motivos que me levaram a isso. Você já os conhece. É tudo uma grande loucura. Não tente entender porque eu a beijava na testa duas vezes e logo em seguida três no queixo. Para de se perguntar por que eu parei de fazer isso. Pare de me perguntar também. Você não terá as respostas, porque já não existem mais perguntas. Se eu a amo? Isso eu posso responder, mesmo você nunca tomando conhecimento disso. Sim. Mas é loucura, não tente entender. Nem eu consigo explicar a mim mesmo. Está aqui mas não existe. Não existe mais aqui. Sim, é tudo uma loucura. Por favor, pare de tentar entender. Entender a mim, a você, entender a morte. Só me deixe fazer mais um único pedido. Por favor, levante-se daí. Não fique mais em frente ao meu túmulo, chorando e tentando entender o que ocorreu, tentando entender porque acabou dessa forma. Também não tente entender porque eu sou assim. Porque eu era assim. Porque estou assim. Mesmo gritando, sei que não me ouve. Mas por favor, me deixe descansar em paz. E de uma vez por toda, não entenda, nem ao menos tente. Eu te amo.
*-*-*
Por favor, me explique o porquê disso tudo. Diga-me, me faça entender. Desde as coisas mais superficiais até as mais profundas. Já não agüento mais. Não consigo compreender, mesmo tentando com todas as minhas forças. As mesmas que já se esgotaram a muito tempo. Não entra na minha cabeça, é impossível sozinha. Portando diga, droga, diga! Não me deixe falando sozinha, você sabe que não gosto. Você sabe, não é possível, está brincando comigo. Pare, não tem graça. Não ria, sei que você está sorrindo esse sorriso sem vida que já está implantado no seu rosto a muito tempo. Explique-me o porquê desse sorriso, o que aconteceu com a sinceridade que sempre me apreciou em você. Por que você mudou, por que está assim? É minha culpa? Eu sempre tentei te entender. Seu modo de ver as coisas. A forma como você encara os problemas, o jeito que ri e o jeito que chora. A forma como diz oi e como se despede. Sempre tentei entender o que me atraia em você. Explique-me logo de uma vez! Qual o seu problema, você não me entende? Não me enxerga? OLHE PRA MIM! Não está me vendo? Sei que está com esses olhos agora negros. Faça-me enxergar como você. Eu me importo, sempre me importei, só não era capaz de demonstrar. Vamos logo, me faça ver agora, estou te pedindo. Aqui, na sua frente, pessoalmente, chorando pra você e por você. E você nem ao menos se meche. Eram lágrimas que você queria? Aqui estão aos seus pés. Pegue-as, mas me explique em troca. Por favor, quero entender. Entender tudo. Como viemos parar aqui? Como chegamos a esse ponto? Você entrou na minha vida, me mudou completamente e agora está ai, parado. Parado, sem me responder, sem se importar. Deixe-me olhar nos seus olhos negros uma vez mais, quero encontrar respostas, respostas à tantas perguntas. Culpa sua, culpa minha. Venha, se aproxime de mim de uma vez por todas. Beije-me na testa e após no queixo. Eu sinto falta disso, sinto muita falta. Não te disse pois meu orgulho não deixa, mas estou dizendo agora. Não seja tão orgulhoso quanto eu, venha e me beije. Sinto falta de você, dos seus costumes. Por favor, pare com esse silêncio, você já não teve sua vingança? Eu não agüento mais. Faça-me entender, pelo menos tente. Estou aqui tentando, mas é impossível. Por favor, me responda, seu cretino, me responda de uma vez. Já não tenho mais lágrimas para chorar e ainda estou aqui, chorando. Estou aqui, olhando seu nome escrito nessa pedra, essa data da sua partida, totalmente injusta. Por que você fez isso? Por que não pensou em mim? Aqui estou com outras flores pra você. Pegue-as, sinta seu cheiro. Por favor, me diga por que me deixou aqui. Explique-me por que me deixou apenas com seu nome escrito em uma lápide. Por que não esperou dizer pela ultima vez que te amo?
*-*-*
E assim duas almas em dois mundos, morte e vida, branco e preto. Um diálogo solitário, em um abraço frio e em palavras jamais ouvidas. Dois mundos diferentes, duas faces de um mesmo mundo, um mundo igual. Como dois corpos se olhando em um espelho. Um dentro e um fora. Assim, simples assim. 

Davi L.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Emancipação

Olá advogado, quero contratar seus serviços. Ouvi dizer que você é dos bons.
sua fama é boa, pois então, quero contratar seus serviços. Vamos ver se realmente
você é tão bom quanto dizem. Ah, e sobre o seu preço, pago qualquer valor.
Dinheiro não é o meu problema, meu problema é outro. Começo te perguntando
até onde você é capaz de chegar para alcançar a minha vitória sobre o caso.
Espero que seja capaz de chegar bem longe, e já logo aviso, não vai ser fácil,
não importa o quão bom você seja. indo direto ao ponto:
eu quero emancipação dos meus sentimentos, todos eles.
Cansei de ser guiado por eles, fazer as coisas de acordo com ele...
e por final, cansei de perder a lógica por causa deles. Se os outros dizem que eles
podem ser tão bons assim, podem pegar os meus. quero logo uma EMANCIPAÇÃO.
Não quero que eles me dominem de novo, principalmente o tal de amor.
Quem ele pensa que é, pra funcionar justo com a pior pessoa do mundo? ele não me obedece,
e o pior, ele me faz obedece-lo. quero emancipação do amor.
Sem falar da dor... quantas vezes já fiz loucuras por causa dela, e quantas vezes
quis morrer? tudo por culpa dela. Quero emancipação da dor.
Vamos falar agora da dúvida. Ela é  tão terrivel que é capaz de me fazer ficar em dúvida se quero ou não emancipação dela. Antes que não dê tempo de falar quero emancipação da dúvida também!
Aah, e o medo? sim, ele também. Deixei de fazer muitas coisas por causa dele, ele é muito forte
tão forte que muitas vezes supera a coragem, que a muito tempo não tem vez comigo.
Quero emancipação do medo.
Nossa, quase me esqueço da insegurança. Ela exerce uma força incrivel sobre mim...
Mas será que é certo fazer isso? Que seja, quero emancipação da insegurança.
Não quero mais que eles me dominem, por favor advogado me ajude a me emancipar deles.

Advogado: Bom, é uma lista muito grande, e um trabalho muito difícil. impossível humanamente,
eu não vou conseguir e garanto a você que ninguém também conseguirá. Mas, eu posso te apresentar
uma pessoa, com ela, todos esses seus problemas sumirão, e o peso de suas emoções não
vão mais te cansar. Essa pessoa vai carregar seu fardo pra você, e vai converter toda seu amor errado
para o amor saudável, vai converter toda dor em alegria, toda dúvida em certeza, todo medo em coragem...
e sobre sua insegurança, bom, com ele você não vai mais saber o que é isso. Vou te apresentar
a uma pessoa que te ama, e que sempre esteve ao seu lado. Vou te apresentar a Jesus.



[Texto escrito e dedicado pra Paula Fernanda. Paula, eu sei o que você passou, e sei como você se sente as vezes, bom.. nem tudo o que aconteceu no texto é o que acontece com você, mas independente todos temos sentimentos assim as vezes. só quero te falar que eu sempre vou estar aqui do seu lado. Não se entregue a falsos sentimento.]



Davi L.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Fim de ano

A emoção de se encontrar no finalzinho.
O cheiro de coisa nova chegando!
O medo do não conhecido junto com o prazer da espectativa
Coisas e coisas que chegam, ficam e passam...
Que chegam no começo e se vão no final.
Simples como um ano novo e um ano velho.
por que o ano velho ja foi novo um dia,
e com ele trouxe as emoções de um ano novo, que ja se acabaram,
restando apenas o gostinho doce-amargo de coisa nova por vir.
É simplesmente complicado.
Saber que um ano ja se passou
e que não há mais tanto tempo pra fazer o que era pra ser feito
mas também a alegria de ver que algumas coisas foram realizadas
e mesmo as que não foram, você sabe que vai ter um novo ano novo.
E sabendo que a vida não precisa ser um ciclo, esreva sua própria rotina diariamente

Por isso faça essa frase valer a pena: Ano novo, vida nova!
aaah, e claro... não entregue os pontos no finalzinho.
Um novo começo ja está chegando.

Davi L.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viagem sem volta

Se hoje vierem me buscar
pra uma viagem alucinante, sem rumo e sem direção
partirei sem medo, sem preocupação.
Partirei com um sorriso no rosto.
Sabendo que alcancei coisas que jamais pensei alcançar. 
Fiz coisas que jamais sonhei fazer.
Falei frases tão sábias quanto o mais sábio homem.
Pensei coisas grandiosas pra mim, e pros outros.
Sonhei sonhos impossíveis, e mesmo nao realizados
me senti feliz apenas com a sensação de sonhá-los.
Vi beleza nas coisas mais simples.
E simplicidade nas coisas mais complexas.
Fiz poucas amizades, mas amizades verdadeiras.
Fiz o possivel e o impossivel pra deixar uma boa impressão.
Portanto não me importarei se vou partir hoje, ou amanha.
e de qualquer forma esse sorriso não sairá do meu rosto.

Davi L.

domingo, 26 de setembro de 2010

Ta vendo aquela Lua ? /dedicação

Te filmando, eu tava quieto no meu canto
Cabelo bem cortado, perfume exalando
Te filmando, eu tava quieto no meu canto
Cabelo bem cortado, perfume exalando
Tudo bem um dia vai o outro vem
Você deve estar pensando em outro alguém
Mas se ele te merecesse não estaria aqui
Não, não, não
Se me der uma chance não vai se arrepender
Não, não, não,não,não
Ou talvez você não queira se envolver
Magoada ta com medo de sofrer

Tá vendo aquela lua, que brilha lá no céu
Se você me pedir eu vou buscar, só pra te dar
Se bem que o brilho dela, nem se compara ao seu
Deixa eu te dar um beijo, vou mostrar o tempo que perdeu.

Que coisa louca, eu já sabia
Enquanto eu me arrumava algo me dizia
Você vai encontrar alguém que vai mudar
A sua vida inteira da noite pro dia.

Exaltassamba

[texto do meu blog que não é de minha autoria]

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Nada é em vão... Garra, força e Determinação '

No fim do próprio limite é perceptivel ver o quanto o esforço não foi suficiente
e é onde chega a vontade de sentar sobre uma árvore, olhar o céu e desejar que o tempo pare.
É nessa hora que o pior pensamento chega: Não to nem ai, não quero mais saber de nada.
Embora possa parecer o mais fácil não é o certo.
Você só chegou onde está devido as suas escolhas, e se está ruim, não piore.
É nesse momento que deve haver maior esforço... no momento em que você pensar em desistir.
Mesmo que todas as circustancias te digam não, e mesmo que todos te impeçam.
Não, não pule as pedras do seu caminho e não desvie seu caminho por causa delas.
Carregue-as todas. Vá juntando uma a uma. 
E até que seus pés sangrem, caminhe. Até que suas costas se curvem perante o cansaço, continue caminhando.
E não jogue as pedras, antes junte-as. 
Quando todas as forças se esgotarem, todo o animo se esvair, e nem o seu proprio caminho você enxergar,
não se entregue a vida, pois ela te levará a muitos caminhos errados. Entregue-se a sua fé, qualquer que seja.
Ela o levará adiante, mesmo que seja dificil. 
Cabe a você realizar o impossivel. E cabe a sua fé acreditar nisso.
Garanto a você que no final, com as pedras que você juntou no caminho, você construirá um castelo.
E toda dor, todo esforço valerá a pena.
As cicatrizes que ficaram te servirão para lembrar o quanto você chegou longe.
Porque o fim do próprio limite não é o fim do caminho, e olhando para traz você verá que traçou um lindo trajeto: Mesmo com quedas, machucados e algumas curvas a mais, você chegou onde queria chegar... Viveu sua vida, obteve sua vitória, alcançou o seu sucesso.

Nada é em vão... Garra, força e Determinação ' 

Davi L.